3.4.7. Deslocamentos Esperados

As estruturas de solo reforçado podem ter deslocamentos originados por diversas causas: recalques na base do solo reforçado, rotações por excentricidade de cargas, distorção e deslizamento da massa de solo reforçado resultantes do empuxo de terra da zona não reforçada e deformações dos reforços provocadas pelas tensões de tração a que estão submetidos (Avesani Neto, 2013). Essas estruturas deformam-se durante a construção. Por isso, deslocamentos devem ser previstos no projeto, de forma que a estrutura tenha uma configuração estável e que assegure que os deslocamentos, durante e após a construção, estejam dentro dos limites aceitáveis. O bom desempenho da estrutura dependerá das deformações que ocorrem durante a sua vida de serviço. As deformações geralmente são devidas ao “creep” do reforço submetido à carga de serviço atuante. Para reforços poliméricos, os valores das deformações durante a fase de “creep” devem ser avaliados. Poderá haver ocorrência de “creep” também quando são usados solos com alta fração de finos, principalmente quando saturados.

Conforme a BS 8006 (1995), deve-se considerar os seguintes itens, na determinação do limite dos deslocamentos:

a) A face do muro deve estar visualmente em boas condições e livre de protuberâncias, saliências e alinhamento errático.

b) Toda a parte superior deve ter curvas suaves ou retas.

c) Encontros de pontes não devem se deformar, pois podem causar: deslocamento da estrutura suportada, fechar juntas de dilatação e sobrecarregar o tabuleiro da ponte além da carga prevista em projeto.

d) As faces dos muros não devem se deformar e causar dano ao material da face. No caso de face de concreto, esse dano pode incluir o fechamento de juntas, fragmentação das bordas dos painéis e quebra dos painéis.

As deformações da face que ocorrem durante a construção devem ser controladas em cada camada da estrutura. As distorções da face (razão entre deslocamentos na crista e altura do muro) devem ser inferiores a 1% para painéis e paredes integrais, 2% para blocos segmentais e 5% para sistemas autoenvelopados [antes da face definitiva] (Avesani Neto, 2013).

A BS 8006 recomenda que estruturas de solo reforçado devem ter as tolerâncias de construção detalhadas na Tabela 5.


A Tabela 6 apresenta um resumo dos deslocamentos esperados previstos na literatura técnica (Avesani Neto, 2014).