2.1.3. Comportamento em Fluência

Dependendo do polímero que constitui o geossintético, este poderá ter maior ou menor suscetibilidade à fluência, que é o processo de deformação lenta sob tensão constante. A estabilidade de um produto em relação à fluência está associada ao nível de carga a que este é submetido. Se o geossintético usado para reforço estiver submetido a uma carga baixa em relação à sua máxima resistência à tração, obtida em ensaio rápido, poderá levar muito tempo para que haja ruptura por fluência. Ao contrário, quanto mais próxima a carga estiver da carga máxima à tração, a ruptura por fluência poderá ocorrer em menor espaço de tempo (Palmeira, 2000). É recomendável, por isso, aplicar-se um fator de redução apropriado à resistência à tração do geossintético, para que este trabalhe sob uma carga de tração com segurança de que não ocorrerá ruptura por fluência durante a sua vida de serviço.

No ensaio de fluência, quando diferentes valores do esforço de tração são mantidos constantes, as deformações associadas aos esforços de tração atuantes originam as curvas apresentadas na Figura 6a. A relação entre o esforço de tração e a deformação num tempo t é representada pela curva isócrona, Figura 6b. Nesta figura pode-se verificar qual a máxima deformação a que um reforço pode estar submetido sem comprometer seu desempenho, num tempo t associado à vida útil da obra. Através das curvas isócronas também é possível definir valores do esforço de tração ou da rigidez à tração mobilizados para determinada deformação em determinado tempo (por exemplo: T = 50 kN/m para e = 5% após 10 anos).

Para fins de projeto de obras de solo reforçado, o valor da curva de referência, obtida na Figura 7 deve ser minorado por fatores de redução, para levar em conta as perdas de resistência devido aos danos da instalação e do ambiente ao qual o reforço está exposto, assim como a degradação química.