b. Avaliação da Estabilidade Interna - Muros e estruturas de contenção reforçadas com geotêxtil tecido

No projeto de muros reforçados com geotêxtil devem ser avaliadas também as estabilidades externa e interna. A estabilidade interna do muro é controlada pela habilidade da massa de solo reforçado atuar como uma unidade coesa, que é alcançada através da transferência de tensões do solo para o reforço. Como em outros sistemas de reforço, duas situações devem ser avaliadas: a tensão desenvolvida no reforço e a resistência ao arrancamento do reforço.

A estabilidade externa deve ser avaliada conforme o item 3.4.4.

Os métodos de cálculos recomendados por Mitchel e Villet (1987) para a estabilidade interna de estruturas reforçadas com geotêxtil são os de Broms e do U.S. Forest Service. Será adotado o método de Broms, que é mais apropriado para muros verticais, ou com inclinação próxima da vertical, com face constituída por elementos estruturais. Este método é baseado nos resultados dos ensaios realizados no Royal Institute of Technology em Estocolmo, Holtz and Broms (1977).

Os fatores que influem na determinação do espaçamento e do comprimento do reforço são o empuxo atuante no muro e a resistência ao “creep” do geotêxtil em longo prazo. É importante também que o geotêxtil seja flexível o suficiente para que haja a redistribuição do empuxo, quando atuarem as cargas no muro.

O empuxo é pequeno nos elementos da face, porque a maior porção deste é resistida pelo atrito entre as camadas de geotêxtil e o solo. Broms (1978) calculou a contenção lateral proporcionada pelo geotêxtil de reforço e associou a redução no empuxo relativo ao valor de repouso, considerando a força de equilíbrio do elemento de solo cortado entre duas camadas de geotêxtil, Figura 29. A resistência ao atrito ao longo do geotêxtil, f, é calculada como:

O comprimento requerido para o reforço, além da zona de ruptura, é determinado considerando-se o deslizamento de uma cunha de solo colocada sobre cada camada de geotêxtil, Figura 32:

Onde o fator 1,3 é considerado um fator de segurança contra possíveis variações nas tensões do geotêxtil atrás do plano de ruptura.

Nas camadas superiores pode-se estabelecer o comprimento dos reforços de geotêxtil mais curtos do que o valor determinado nas equações (37) e (38), e o empuxo total na parte de trás dos elementos da face do muro deve ser suportada por todas as camadas de geotêxtil. O geotêxtil deve ser flexível o suficiente, para redistribuição do empuxo que ocorrer.


Se o geotêxtil não for fixado nos elementos da face do muro, a área de contato entre este e as partes horizontais dos elementos da face deve ser suficiente para transferir a carga do empuxo para o geotêxtil:


Se a distribuição da deformação de tração é conhecida para um geotêxtil selecionado como reforço do solo, Broms sugere que o deslocamento lateral no topo do muro seja estimado como: