2.0. Histórico das pesquisas realizadas

Para solos com boa capacidade de suporte, as fundações diretas são o tipo mais utilizado, pela facilidade construtiva, dispensa de equipamentos especiais e menor custo. No entanto, quando o solo de fundação não possui capacidade de carga adequada (alta deformabilidade e baixa resistência ao cisalhamento), a fundação direta deixa de ser vantajosa e o usual é projetar fundações profundas.

O uso de geossintéticos no reforço de fundações diretas tem o objetivo de permitir a sua utilização em situações nas quais as fundações diretas convencionais não são viáveis tecnicamente. Os geossintéticos como reforço de fundações diretas têm um paralelo bem próximo de reforços geossintéticos em rodovias, como a proposta apresentada por Giroud e Noiray (1981). Nesse estudo, os autores avaliam a redução da espessura dos lastros de vias não pavimentadas devido à instalação de geossintéticos na sua base. Os estudos são baseados em ensaios e avaliações teóricas e mostram reduções da espessura do lastro variando de 20 a 60%.

Khing et al. (1994) realizaram estudos em modelos reduzidos, simulando sapatas apoiadas em camadas de areia sobrepostas a solos argilosos moles. Os resultados mostraram ganhos de 20 a 25% na capacidade de carga, para uma camada única de reforço. Manjunath e Dewaikar (1996), apresentaram dados obtidos em modelos reduzidos, com arranjo similar aos modelos estudados por Khing et al. (1994), mostraram melhora crescente da capacidade de carga em função da inclinação da carga aplicada. A melhora foi de 30% para cargas verticais, e de 52% para cargas com inclinação de 15o.

Nataraj et al. (1996) zeram simulações numéricas variando as dimensões das fundações, a quantidade e as dimensões dos reforços com geossintéticos. Os resultados mostraram ganhos de capacidade de carga de 25 a 70% e indicaram ganhos maiores para fundações com dimensões menores.

Pospisil e Zednik (2002) apresentaram resultados de ensaios em modelos reduzidos, que indicaram melhora da capacidade de carga da ordem de 30 a 40 %, para solos reforçados com apenas uma camada de geossintético. Esses autores concluíram que a e ciência do reforço está relacionada à distância entre o reforço e a fundação, uma vez que a partir de certa profundidade, a in uência do reforço passa a ser desprezível.

A publicação Recomendações para Reforço com Geossintéticos – EBGEO (DGGT, 1997) apresenta uma metodologia de dimensionamento para reforço de fundação com geossintéticos, e está resumida no item 4.6.3.